terça-feira, 23 de agosto de 2016

ONG A4 promove feira de adoção de filhotes no dia 27 de Agosto


A ONG A4 - Associação dos Amigos dos Animais Abandonados, de Capão do Leão - promove no próximo dia 27 de Agosto, sábado, das 14 às 17 horas, uma feira de adoção de filhotes de cães na Agropecuária Salaberry, em Pelotas. O endereço é Avenida Fernando Osório número 1531. Vale a pena participar e adotar, caso você tenha interesse. O trabalho desenvolvido pela ong é importante e merece ser valorizado.

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Histórias Curiosas XXIV

Marie Fredriksson,
vocalista da banda Roxette
Início da década de 90 e o noturno da Escola Presidente Castelo Branco “bombava” a cada começo de ano letivo. Devia ser 1991 ou 1992, aconteceu de uma aluna nova matricular-se no ensino médio (na época conhecido ainda como 2º. Grau) e passar a frequentar uma das turmas causando verdadeiro frisson nos rapazes. A moça loira, ligeiramente mais velha que os demais, de cabelo curto à moda da cantora sueca Marie Fredriksson da banda Roxette (que estava muita em voga na época), usando roupas “descoladas” e “modernas”, dona de um sotaque que denunciava sua origem carioca e cheia de gírias, foi uma novidade no meio de um grupo de alunos ainda interioranos, que não estavam acostumados com aquela menina de ar tão cosmopolita. Ao que parece, o pai, engenheiro de uma firma mineradora que estava instalada no município, tinha se transferido para Capão do Leão com a família para melhor atender suas obrigações profissionais.

O fato é que a moça além das características que já havia citado era realmente muito bonita e procurava sempre estar maquiada e perfumada. Não era afetada, agia com educação e cortesia e logo fez amizade com vários colegas. Unindo beleza, simpatia e um jeito um tanto quanto diferente para Capão do Leão, a moça arrancava suspiros entre os rapazes por razões mais que óbvias.

Todavia, as pretensões dos mais galanteadores logo diminuíram, pois a moça numa conversa informal se revelara homossexual e havia comentado com as outras meninas que tinha uma namorada que havia deixado no Rio de Janeiro e que, ocasionalmente, a visitava em datas especiais. Apesar da revelação, a moça não foi discriminada pelos demais e as coisas seguiram normalmente durante o decorrer do ano letivo.

Porém, nem todo mundo ficou sabendo da novidade logo. Aquilo ficou meio que restrito ao grupo de sua turma e alunos de outras turmas ainda olhavam a moça com certo interesse, mas sempre com o devido respeito.

Pois bem, havia uma turma de 2º. ano composta pelos mais atrasados em que um aluno gordinho que usava uma barbicha era a “alegria da galera”. Divertido, extrovertido e sempre bem-humorado, o tal aluno gordinho já havia se tornado uma espécie de mascote da turma por protagonizar momentos hilários e inusitados dentro da sala de aula e nas festas e bailes da juventude da época. Quem conviveu com ele diz que os causos contados a seu respeito seguramente dariam um livro. O sujeito, além disso, gostava bastante de um “goró” e era celebrizado por suas bebedeiras. Comentavam que ele era o rei do Xixi de Anjo – espécie de coquetel que basicamente é cachaça com leite condensado, mas que em cada canto tem o acréscimo de um ou mais ingredientes diferentes.

O professor de Literatura organizou então um seminário em que os seus alunos deveriam ler uma obra previamente listada e apresentarem uma resenha entre os colegas. Juntou algumas turmas e fez uma espécie de aulão para apresentarem os trabalhos. As apresentações começaram e o gordinho do 2º. ano estava presente ao lado de um colega que o acompanhara. A moça loira do início da história foi chamada pelo professor para apresentar sua resenha e o gordinho se encantou com a sua beleza e desenvoltura. Neste momento, muito curioso, o gordinho sussurrando pergunta ao seu colega:

- Bah, tchê! Quem é aquela loira? Que baita loiraça! Que encanto de mulher! Que avião!

- Olha Jeremias (nome fictício), aquela é a Marina (outro nome fictício), não é daqui, chegou este ano, veio do Rio, está na outra turma lá do fundo.

- Bah, me apresenta a loira, então. Tenho que conhecer melhor ela!

- Jeremias, posso até te apresentar a Marina, mas já te adianto que é fria, pois ela gosta a mesma coisa que tu gostas!

- Tá, tá bom então tchê. Quebra essa prá mim, Marquinhos (também um nome fictício).

Dias depois, Marquinhos informalmente apresenta Jeremias a Marina e a moça educadamente o cumprimenta, porém com certa reserva. Uma semana se passa, Marina indignada comentava com as amigas que “aquele gordinho”, o Jeremias, a havia feito uma proposta invasiva, convidando-a para beber com outros amigos num trêiler após a aula, sendo que eles mal se conheciam. A história se espalhou e as amigas disseram a Marina que não ligasse, pois o dito gordinho era famoso justamente pelas gafes que cometia.

Marquinhos e outros colegas ficaram também sabendo e na entrada da aula abordam o Jeremias querendo saber o que deu na cabeça dele de ser tão “carudo” e abordar a moça sem se quer ter intimidade suficiente com ela:

- Ô, Jeremias, como tu é cara-de-pau, irmão! Eu mal te apresentei a moça e tu já chegasses dando no meio. Eu não te falei que ela gosta da mesma coisa que tu gosta?

- Pois é, tchê. Eu até achei que dava para chegar, mas a “mina” não gostou muito. Sabe como é, eu até quis criar uma intimidade, quis convidar ela para fazer a mesma coisa que eu gosto, mas não deu muito certo.

- Jeremias, o que tu entendeste quando eu te disse que “ela gosta a mesma coisa que tu gosta”?! Eu quis dizer que a moça é lésbica, animal! Ela tem namorada que vem lá do Rio de vez em quando para se encontrarem – arremedou Marquinhos.

- Lésbica?! Pqp!! Mas tão gata e sapatona!

- Então, como tu foi ser tão cara-de-pau de convidar a guria para beber? – indagou outro colega que acompanhava a conversa.

Jeremias sem jeito conclui em sua ingenuidade cômica:

- Hum, hum...bah, tchê...eu pensei que quando o Marquinhos me disse que ela gostava da mesma coisa que eu gosto...Hum, hum...eu pensei que era cachaça!


A gargalhada foi geral que dava até para ouvir no outro prédio anexo da escola.

sábado, 20 de agosto de 2016

O Perfil da Juventude Leonense



Trecho extraído de: PRADO, Daniel Porciuncula & SANTOS, Douglas Ferreira dos. Os avanços nas políticas públicas a partir da atuação do Conselho Municipal da Juventude de Capão do Leão no Rio Grande do Sul. IN: BRASIL. SECRETARIA NACIONAL DA JUVENTUDE. Anais do Encontro  de Pesquisadores e Pesquisadoras de Políticas de Juventude. Brasília, Presidência da República, 2014, p. 154-157.

"Perfil da Juventude Leonense 

Embora o subtítulo aponte para uma visão geral dos jovens que residem em Capão do Leão, o perfil da juventude descrita aqui se trata dos jovens estudantes do ensino médio. O questionário foi aplicado com todos aqueles que aceitaram participar da pesquisa na Escola Estadual de Ensino Médio Presidente Castelo Branco, a única escola de ensino médio no município no momento da pesquisa. Optou-se em realizar a pesquisa na escola por compreender que este espaço constitui-se numa amostra dos jovens que residem no município, pois são estudantes oriundos de todas as localidades, urbana e rural. 

O objetivo da pesquisa foi coletar informações para conhecer a realidade dos jovens leonenses para que o Conselho Municipal da Juventude obtivesse um banco de dados para iniciar seus estudos e projetar os avanços necessários nas políticas públicas de juventude. A pesquisa foi realizada em dezembro de 2013, totalizando 188 participantes. Do total de participantes, 7 entregaram o questionário em branco, 107 são mulheres e 74 são homens. 

As perguntas permitiram ter uma leitura sobre a sexualidade, renda familiar, educação, participação em grupos, etnia, opinião sobre a administração local, apontamentos sobre o trabalho do Comjuv, preconceitos existentes e as prioridades no município a partir da perspectiva dos jovens. 

Os dados coletados deixam de fora os jovens que ainda estão cursando o ensino fundamental, os jovens trabalhadores e/ou universitários que já concluíram a educação básica e os jovens desempregados. Torna-se difícil para o Conselho Municipal da Juventude, devido as diversas demandas, e muitas vezes com poucos recursos, avançar nas questões que envolvem tempo e dificuldades no que diz respeito a cativar a juventude que está em espaços isolados para participar desta iniciativa. Porém, essas informações apontam para um dos caminhos a serem seguidos e, embora sejam os gritos dos jovens estudantes, estes estão em contato com os demais e comungam de algumas opiniões. 

(...)

A grande parte dos jovens estudantes está na faixa etária que compreende dos 15 aos 18 anos, totalizando 90,4% dos participantes. A maioria é do sexo feminino e participante da Igreja Evangélica, 39,3%, seguida pela Igreja Católica, 21,5%. Aqueles que não frequentam nenhuma religião totalizaram 22,4%, os Umbandistas são 6,5%, outras religiões 4,7% e não responderam a questão 3,7%. Já os jovens do sexo masculino, os resultados foram os seguintes: não frequentam nenhuma religião 41,9%, Evangélicos 31,1%, Católicos 9,4%, Outras religiões 6,8%, Umbanda 6,7%, não responderam a questão 4,9% e ninguém marcou a opção Igreja Batista.

A maioria dos jovens é da Zona Urbana, 76,1%. Os moradores da Zona Rural somam 28,97% e os que não responderam a pergunta contabilizam 1,6%. Na opção para informar com quem morava, 95,7% disseram residir com os familiares, 0,6% com amigos e 3,7% não responderam a pergunta. 

Sobre a etnia, 4,8% não responderam a pergunta, 0,6% afirmaram ser Ciganos, 3,2% Índios, 9,6% marcaram a opção negra, 12,7% pardos e a maioria se declarou branca, 69,1%. Nesta questão, houve um equívoco em relação à cor de pele com ao grupo pertencente, porém os dados têm significados quando apontam que jovens se auto-declaram índios e ciganos. 

As jovens são maioria, totalizando 37,4%, que ainda não tiveram relações sexuais, enquanto os homens somam 24,3%. Marcaram a opção antes dos 15 anos de idade 16,8% das mulheres e o resultado dos homens foi de 37,8%. Na opção entre 15 e 18 anos, a diferença foi de 3,9%, pois as mulheres totalizaram 29,9% enquanto os jovens do sexo masculino 33.8%. Somente as jovens mulheres marcaram a opção entre 19 e 22 anos (0,9%). Não responderam a pergunta 4,1% dos homens e 15% das jovens mulheres. 

Em relação à participação em algum grupo juvenil (religioso, partidário, associações, ong’s...), 75% dos jovens não participam de nenhuma organização, apenas 19,7% fazem parte de algum grupo, e é em maioria mulheres, e 5,3% não responderam a pergunta. O gráfico a seguir traz algumas informações sobre o número de reprovações no ensino fundamental e médio. 

(...)
Enquanto no ensino fundamental, o público que lidera são as jovens, no ensino médio, os homens é que passam a ter o maior índice de reprovação. Se a pesquisa fosse realizada com o público infantil e adolescente, seria possível fazer um breve comparativo sobre a quantidade de estudantes no ensino fundamental, pois no médio a maioria são mulheres e reprovam em menor quantidade. 

Quando questionados sobre a qualidade na educação, 34,6% marcaram a opção ruim, 34,6% marcaram a alternativa regular, 14,9% escolheram a resposta muito ruim. Somente 9% consideram a educação no município boa e 1,6% excelente. Os jovens que não escolheram nenhuma das alternativas somaram o percentual de 5,3%. 

Se tratando da opinião sobre a atual administração, os jovens, em sua maioria, acham o governo mediano, pois, dentre os 188 participantes, 60 marcaram a opção regular, totalizando 31,9%. Muito Ruim e Ruim obtiveram 29,3% e 29,8%, respectivamente. Aqueles que marcaram o governo como Bom somaram 3,7% e 5,3% não responderam. 

No questionamento em relação às políticas públicas para juventude no que diz respeito ao trabalho desenvolvido pelo poder executivo e legislativo, 36,2% avaliaram como ruim, seguido de 31,4% regular, 16,5% muito ruim, 9% não responderam essa questão, a opção bom obteve 6,4% de votos e 0,5% avaliaram como excelente.

(...)

Referente ao trabalho desenvolvido pelo Comjuv, a opção mais marcada foi a alternativa que avalia o trabalho como sendo bom. O quadro a seguir ilustra a avaliação realizada e a porcentagem de cada resposta.

Muito Ruim 3,2%
Ruim 9,1%
Regular 20,7%
Bom 38,8%
Excelente 9,1%
Não conheço o Comjuv 11,7%
Não responderam 7,4% 

Cabe salientar que os atuais conselheiros tomaram posse em agosto e o questionário foi aplicado em meados de dezembro. Neste resultado é perceptível a aprovação do trabalho desenvolvido pelo Conselho Municipal da Juventude, mesmo com pouco tempo de atuação. 

A última questão solicitava que o estudante elencasse até três prioridades no município (saúde, infraestrutura, educação, transporte, urbanização, políticas públicas, cultura, lazer, esporte e saneamento básico) e ainda permitia sugerir outras demandas que ali não estavam contempladas. Todas as alternativas de alguma forma foram marcadas, e em alguns questionários todas as prioridades foram escolhidas. Esse comportamento de marcar todas as opções, mesmo que o enunciado solicitasse apenas três, demonstra a insatisfação da juventude leonense em relação às necessidades básicas. Ainda nesta questão surgiram outras demandas, como segurança e limpezas das ruas. 

A aplicação deste questionário possibilitou ao Conselho Municipal da Juventude se apropriar do perfil da juventude leonense, mesmo que seja apenas de uma parcela deste grupo. Outras indagações foram realizadas, porém não serão abordadas nesta pesquisa por compreender que os resultados requerem um aprofundamento nas reflexões.

Caminho percorrido e atividades desenvolvidas pelo Comjuv

O Conselho Municipal da Juventude (Comjuv), lei municipal 1594, foi criado a partir da iniciativa da comunidade jovem do município e entrou em vigor no dia 02 de agosto de 2013. Sua trajetória começou no ano de 2004, quando a Pastoral da Juventude (PJ), organização juvenil pertencente à Igreja Católica, realizou a primeira Semana da Cidadania, atividade permanente do calendário desta organização no Brasil. 

A Semana da Cidadania tem por objetivo ser um espaço de reflexão sobre as políticas locais através de atividades desenvolvidas pelo/para os jovens. A cada ano com uma temática diferente, essa atividade é pensada pelas pastorais da juventude do Brasil e vem para fomentar e provocar os jovens para uma transformação da sociedade. Foi neste contexto de jovens ligados a esse seguimento da Igreja Católica que começaram as discussões sobre a criação de um Conselho Municipal da Juventude em Capão do Leão, com o intuito de promover e avançar nas políticas públicas. Participaram desta atividade outras entidades juvenis do município e cidades vizinhas, como Hip Hop, Igreja Luterana, Grafiteiros, Central Única das Favelas (CUFA) e Partidos Políticos (PT, PDT e PMDB).

Somente 10 anos depois é que a lei de criação do Comjuv foi efetivada, devido a pressão dos representantes da Pastoral da Juventude e Partidos Políticos (PT, PDT, PMDB e PSol). Neste tempo, foram realizadas atividades para discussão sobre os trabalhos a serem feitos pelo Comjuv, além de enfrentar a (re) organização por parte da Pastoral da Juventude, que entrava em crise na Igreja local, que compreendia a Diocese de Pelotas, hoje Arquidiocese. 

O Comjuv do Capão do Leão é composto por nove conselheiros titulares e nove suplentes, com três cadeiras destinadas a representações da atual administração, que não estão sendo todas ocupadas, e seis para as entidades da sociedade civil, que estão sendo ocupadas pelas religiões, partidos políticos, associações, entidades culturais, organizações do campo e comunidade civil. 

As atividades desenvolvidas neste primeiro ano de trabalho do Comjuv já demonstram grandes avanços no que tange as políticas públicas de juventude. Embora sejam muitas as dificuldades, como falta de participação da atual administração; poucos recursos; dificuldades em aproximar os jovens que não fazem parte de nenhum seguimento; ser ouvido e respeitado pelo poder legislativo e executivo, os resultados vem dando destaque na região a este órgão que é fiscalizador, deliberativo e normativo. 

Com apenas um mês de funcionamento, o Comjuv realizou a primeira semana da juventude, lei municipal desde 2009, que até então não tinha sida executada no município. O Conselho também propôs e realizou um encontro para discussão sobre a medida imposta pelo governo do Estado pela implantação do ensino politécnico, medida que foi tomada sem consulta à comunidade escolar.

O Conselho Municipal da Juventude, desde o início de sua formação, incluiu em sua pauta o Passe Livre, direito conquistado pela juventude gaúcha após manifestações no ano de 2013 por todo o Estado. Para obtenção do passe livre, é preciso confeccionar a carteirinha estudantil, que tem um valor, e o Comjuv conseguiu a gratuidade junto à prefeitura para a juventude leonense. 

Outra conquista significante neste primeiro ano de atuação foi a aquisição de uma pista de skate junto a organização dos jovens que andam de skate. Após consolidação do Comjuv, jovens que praticam o esporte em uma das vias movimentadas do município entraram em contato para pensar em alternativas para a construção de uma pista. Foram realizados vídeos, demonstrando os perigos enfrentados pela juventude que se utiliza de uma avenida movimentada para a prática do esporte, com a intenção de sensibilizar os vereadores, para que fosse incluído no orçamento deste ano o valor necessário para a construção de uma pista, que está em andamento. 

Uma campanha contra a homofobia foi realizada no período do carnaval para promover a diversidade de gênero dentro de uma comunidade pequena e conservadora nas questões que envolvem sexualidade, étnicas e de gênero. 

No município de Capão do Leão, até junho de 2014, só havia uma escola de ensino médio no município (local onde foi aplicado o questionário), que está localizada no Centro e não suportava a quantidade de alunos, passando muitos jovens a se deslocarem até Pelotas para concluir seus estudos. Esse fator do deslocamento contribuía para a evasão de um número significativo de estudantes por causa dos gastos e também por causa do tempo, sendo que muitos começam a trabalhar cedo para contribuir na renda familiar. Várias foram as iniciativas do legislativo para implantar uma escola no bairro mais populoso, mas devido a falta de comprometimento, tanto do governo local quanto do Estado, essa ação era adiada. Com a formação do Comjuv e a clareza da importância de uma instituição de ensino próximo da residência dos jovens é que as discussões passaram a fazer parte da pauta. Junto com os responsáveis pela implantação do ensino médio (local e estadual), desde junho a comunidade possui mais uma escola de ensino médio. 

O Conselho Municipal da Juventude de Capão do Leão tem como metodologia a organização a partir de grupos de trabalho temáticos para incluir os demais jovens que não estão na condição de conselheiros ou não participam de nenhuma entidade juvenil organizada. Atualmente, os grupos de trabalho têm as seguintes temáticas: Educação e Pesquisa; Juventude Rural; Formação Política; Diversidade; Esporte e Lazer; e Cultura. A Escola da Juventude é outra atividade desenvolvida pelo Comjuv, que vem sendo um espaço de escuta, discussão e apontamento dos clamores da juventude leonense. Por acreditar no protagonismo juvenil e na potencialidade da juventude para a transformação social, é que eventos como esse se tornam importantes para fomentar a participação. 

A Escola da Juventude acontece no bairro onde há o maior número de habitantes do município e, a cada mês, acontece uma etapa na qual é refletida uma temática assessorada por alguma liderança que tenha domínio no assunto. A proposta é que a formação seja para um pequeno grupo e que os sujeitos possam participar de todos os momentos, pois há uma continuidade entre os temas abordados. Esta atividade que ainda está acontecendo, foi pensada para ser desenvolvida durante o ano, mas já é possível perceber o quanto há deficiências no que diz respeito à educação formal para a participação cidadã. Os sujeitos adquirem conhecimentos engessados no ensino básico e têm dificuldades de refletir ou colocar em prática o aprendizado. Protagonismo Juvenil, responsabilidades do Comjuv, Estatuto da Juventude, as funções dos Três Poderes (legislativo, executivo e judiciário), Educação Popular como meio de transformação, Debates, Cines-Debate e Dinâmicas são as práticas realizadas na Escola da Juventude."

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Esplendor e declínio da Linha Rio Grande - Bagé - Cacequi

Ponte Ferroviária sobre o Rio Piratini em 1915

Trecho extraído de: CORNEJO, Carlos. As ferrovias do Brasil nos cartões-postais e álbuns de lembranças. São Paulo: Solaris, 2005, p. 214.

"A Estação de Bagé foi inaugurada em 12 de Dezembro de 1884, como estação terminal da linha que tinha início em Rio Grande, como 282,4 quilômetros, a qual, em 1896, foi prolongada até São Sebastião e, em 1900, até São Gabriel. A abertura ao tráfego da linha até Bagé foi registrada na obra Centro de Preservação da História da Ferrovia no Brasil:
A ligação Rio Grande-Bagé foi completada em 1884, sendo inaugurada com a presença do Barão de Sobral, então Presidente da Província. Nessa ocasião, fizeram correr três trens especiais: o primeiro levava comissões da praça de Rio Grande, o segundo, comissões e convidados de Pelotas e o terceiro, autoridades, o Bispo Diocesano e os engenheiros da ferrovia. Nessa estrada foram construídas diversas pontes de arrojada engenharia, a maior delas na travessia do Rio São Gonçalo, sobre o qual foi construída uma ponte metálica, com centro giratório, que permitia a passagem de vapores de Pelotas até Jaguarão. Além dela, pode ser destacada a ponte sobre o Rio Piratini, que por duas vezes já foi reconstruída em razão das cheias que fazem as águas de seu leito transbordar.
Da Linha Rio Grande-Bagé-Cacequi saía o Ramal São Sebastião - Santana do Livramento, cujo primeiro trecho, de São Sebastião a Dom Pedrito, foi aberto em 1925 e de Dom Pedrito até Livramento, construído pelo 1o. Batalhão Ferroviário, em 1943. Sabemos do final da história da linha de Marítima até Cacequi e seus ramais, por Ralph Menucci Giesbrecht, no site Estações Ferroviárias: 'Uma série de variantes foi entregue em 1968 e a década de 1980: Pedras Altas, Três Estradas, Pedro Osório, Pelotas, que encurtaram e melhoraram seu traçado, eliminando diversas estações originais. Até 1995 trens mistos transportaram passageiros pela linha."